sábado, 15 de outubro de 2005

Hoje como estou... Um conto sem pé nem cabeça!

Hoje foi um dia incrível na minha vida... Acordei às sete e meia da manhã. Entrava uma luz distorcida, através do vidro fumê da janela do meu quarto. Assim que levantei, percebi que não conseguia sustentar meu próprio corpo. Caí duramente sobre o solo frio de uma manhã que acabara de despertar sob a luz do sol. Mas ainda não conseguia acreditar... o que realmente acontecera comigo nesta noite? Essa era uma pergunta que imediatamente tive uma resposta, mesmo que não por completa, assim que me atrevi a olhar para os meus pés. Não era possível!! Como isso foi acontecer?

Meus pés não estavam mais presentes sustentando minhas pernas e o restante do corpo. Olhei mais atentamente e pude perceber que eles foram retirados com algum objeto cirúrgico e teve, logo após o corte, a aplicação de uma costura... Meus Deus!! Cortaram meus pés e ainda deram ponto!! Como não percebi a presença de um malfeitor em minha própria casa fazendo tal atrocidade? E como não pude sentir a dor de um corte desses e de uma costura? Quando sai do torpor que a surpresa me causava, procurei pistas que pudessem responder a essas perguntas. Olhei em cima do meu criado-mudo e percebi que jazia algumas unidades de injeções e frascos de soníferos, tranqüilizantes e anestesias.

Isso me deu uma certa luz... mas mesmo assim, quem poderia ter feito isso comigo? e qual seria o seu motivo? Me arrastei até o telefone pois, mesmo com as pernas ainda sob a posse do meu corpo, não consegui andar. Disquei o número de um hospital, mas notei que não dava sinal. Olhei em volta do aparelho e vi claramente que o fio que o ligava à parede estava brutalmente cortado, com sinais claros de que fora arrebentado com as próprias mãos do malfeitor. E agora? O que farei? Ora, por que não grito? Pois acreditem, mesmo vendo uma situação dessas, não havia gritado em momento algum, estava frio. Pois finalmente chegara a hora de fazer isso.

Mas quando dei por mim, acho que foi por causa dos meus pensamentos que estavam sendo pronunciados, e não pensados, aparece sob o beiral da porta da sala com a cozinha, o malfeitor que havia feito em mim tal barbárie. Ia gritar, mas no momento do ato, ele que era alto, magro, cabelos desgrenhados e negros como a noite, com o rosto tapado por uma venda do nariz p baixo, falou comigo num sussurro horripilante: -Nem pense em fazer isso ou eu estoro seus miolos! - disse isso ao mesmo tempo que apontava uma arma, provavelmente uma pistola, com um claro silenciador de tiros aplicado no seu cano.

Ao ver isso, não consegui soltar o grito de tanto pavor que me entorpeceu. A única coisa que dava para reparar do seu rosto era o seu olhar, azul- cinzento, fino, penetrante e maligno. Resolvi perguntar porque havia feito uma cirurgia com os meus pés, retirando-os completamente, num corte que não tinha a mesma altura nas duas pernas. Uma estava menor que a outra. Mas o bandido quando viu que movia os lábios para perguntá-lo não exitou em atirar na minha cabeça.

Saiu em seguida, e pude ouvir o seu carro engasgando e batendo retirada. Nisso como um brilho de luz, cinco minutos mais tarde, entra na minha casa, minha vizinha que sempre me acompanhava para o trabalho. Horrorizada, liga para o hospital mais próximo através do seu celular.

Cheguei no hospital e por sorte consegui sobreviver ao tiro que foi de raspão graças à péssima mira do bandido. Será que ele sabe que eu sobrevivi? Será que ele vai retornar para acabar com o serviço? Não sei, são questões que penso todo dia nesse maldito hospital no qual estou entrevado por uns dias até me recuperar. Mas tenho certeza de uma coisa: ele irá pagar pela maldita covardia que ele fez comigo... ah se vai!

Autoria: Leonardo Feccini Ferreira- 15/10/2005- Término:19h59m

Um comentário:

Anônimo disse...

LEOOOO!!! Que legal!!!!Adorei! Achu otimo vc colocar aki toda sua criatividade, q vc tem muita, viu>>!!! Beijao!!Te adorooo