Durante alguns incontáveis e intermináveis minutos de delírio, vi o seu corpo suado e pulsante. Era mais uma vez que ele tinha deixado isso acontecer mesmo após várias promessas contrárias, o amor invadira o seu coração. Estivera numa fase deprimida e deprimente, desilusão é uma das piores realidades encontradas pelo ser que ama, e isso o desestimulava a prosseguir da forma como desejava e tentava obedecer aos padrões e regras estabelecidas pelo seu entorno dominante, ou seja, ficar na sua solitude e fingir que estava tudo bem, mesmo não estando.
Ainda que ele insistisse à via contrária, parece-me que estava impulsionado ao conformismo das pessoas que não amam e não sabem o que vem a ser esse sentimento maravilhoso, tido como vilão por muitos. Mas, por mais que elas insistissem na sua desistência desse “vilão”, alegando ser o Amor o causador de qualquer sofrimento e fracasso na vida, ele não iria desistir de tê-lo como um dos seus companheiros de vida, de ele ser o seu melhor amigo. Não desistiria pelos seguintes motivos, foi criado de uma forma que mostrava o quanto o amor é importante para ser feliz e o quanto a sua falta causa tristezas, desesperos e depressões. A sua filosofia de vida foi praticamente toda centrada nesse sentimento, até mesmo pela religião, e também pela forma romântica que sempre lhe fascinou, fosse por meio dos livros, novelas, filmes e teatros, ou seja, pela arte nas suas mais variadas formas e linguagens.
Pois foi assim que, como uma fênix, sobreviveu até os dias de hoje, queimou-se muitas vezes pelo fogo ardente e acolhedor do sentimento mais puro e bonito que já tivera contato, o amor. Ele sempre aparece de forma inesperada e aquecendo o frio coração que vaga solitário pelo mundo, mas dependendo do que for usado como combustível, ele pode se tornar um perigo em vez de uma fonte de luz e energia. Infelizmente as pessoas não estão acostumadas a esse tipo de sentimento, e logo que se deparam com ele, sentem medo e desconforto, quando, na verdade seu propósito primordial é outro. Com isso, os seus alvos desse amor “aterrador” (como eu amo entender os significados das palavras através da análise dos seus radicais, sua composição, sufixos, prefixos... é tão bom destrinchar a palavra e verificar nela os diversos significados, conceitos e definições existentes), consumiram-no (sim, emprego aqui a significação capitalista do consumo barato, efêmero e descartável de um simples produto) e o descartaram logo que acharam que não teria mais serventia. Ele virava cinzas... Decompunha-se sob a própria custódia daquilo que lhe fazia sobreviver, que era o amor. Porém, como dito anteriormente, ele reunia forças (não me perguntem de onde) para renascer das cinzas dos seus próprios insucessos. Depois desse processo doloroso de recomposição estrutural, via-se fadado a prosseguir uma jornada solitária, sem ter com quem contar, sem alguém para que ele pudesse se apoiar nos momentos de fraqueza, desespero e obstáculos encontrados e também alguém pra dividir os momentos felizes e de conquistas.
Foi assim por anos a fio, até que um dia o meu herói conseguiu encontrar alguém em quem confiar, alguém que pudesse demonstrar seus sentimentos, seus medos, paixões, sua real personalidade, ou seja, alguém que realmente pudesse amar, sem temer a reprovação que sempre encontrava nos outros relacionamentos. Viveu intensamente cada segundo que tinha junto à sua nova paixão, e não demorou para que essa paixão se transformasse num verdadeiro amor. A barreira do desejo, da paixão simples, tinha sido transposta, agora não havia mais limites para aquilo que ele poderia realizar e fazer para que ele e seu amor pudessem ser felizes, pudessem estar juntos, por mais que as situações fossem adversas a esse sucesso, o seu desejo maior era fazer com que aquele ser, que tinha encontrado no verdadeiro Espetáculo Internacional da Vida, fosse feliz. Meu herói tinha essa “ridiculous obsession with love” (frase do pai de Christian, dita a ele no filme ‘Moulin Rouge!’), e acreditava ser aquele o momento que tanto tinha esperado chegar. Suas esperanças foram alimentadas com muito carinho e promessas de amor, e como uma planta que recebe o mesmo tipo de tratamento e sem nenhum vestígio de pragas que antes insistiam em jogar-se no seu terreno, seu amor cresceu e tornou-se vistoso, sadio e sólido.
Porém, como nem tudo está fadado à felicidade e à simplicidade (principalmente para o nosso ”sortudo” herói), ele teve um desencanto. O intuito e a força para lutar pela felicidade não tinham atingido o seu amante com a mesma intensidade e empolgação que o fizeram arregaçar as mangas em busca de um trabalho árduo pelo amor, mas que demonstrava ter um final digno de contos de fadas. Ele tinha certeza que aquela pessoa era a certa, ainda mais depois da vasta experiência obtida com tantas pessoas erradas. Talvez, devido ao deslumbre do novo mundo que aparecia para o seu amante, ou talvez ingenuidade, ou inexperiência, ele não tinha tido a mesma visão que o herói tivera. Ou talvez tenha sido apenas medo de iniciar uma batalha pela felicidade, as pessoas ainda não estão preparadas para amar, infelizmente. Tentei mostrar ao herói que as pessoas têm medo disso, de serem felizes, de amar e de possuírem vidas melhores, mais alegres e com mais qualidade de vida. Elas ainda não perceberam que as soluções da maior parte dos problemas que elas enfrentam estão no poder curativo, aconchegante e renovador que o amor possui. Não sabem, coitadas, que a lição que deveriam saber mais do que qualquer tabuada, regra de concordância, o que quer que seja, é a encontrada na música de Natalie Cole, também colocada no excelente (e romântico ao extremo) ‘Moulin Rouge!’: “The greatest thing you’ll ever learn is just to love and be loved in return!” (algo como: A coisa mais importante que você irá aprender é AMAR e SER AMADO em retorno).
Meu herói caiu novamente no fogo destrutivo que o amor incompleto (o que não é correspondido) possui, mas dessa vez o fogo era diferente, tanto na sua textura, quanto na sua temperatura, coloração e principalmente, sua conseqüência. O meu herói fenixiniano não voltou ressecado pelo fogo, nem amargurado, nem desesperançoso, um pouco melancólico e triste é verdade, mas há algo nele que me impressionou. Ele havia decidido que dessa vez tinha algo errado, algo que ele não sabia explicar, e muito menos eu saberei do que se trata especificamente. A única certeza que ele me deu foi a de que dessa vez ele não vai se entregar à desistência, ele está disposto a lutar pelo amor que encontrou, mesmo que isso lhe cause certas feridas, dores e reprovações por parte daqueles que o cercam. Ele está disposto a ser feliz novamente com o único amante que lhe proporcionou esse tipo de felicidade, de sentimento, de amor. Mesmo que isso lhe tome certo tempo, que poderá chegar a muito mais do que meros meses. Ainda que ele tenha que ter também muita força e disposição, ele está disposto a correr esse risco, pois, para o meu herói, esse amante vale a pena cada esforço feito, para que no final a felicidade e o amor sejam conquistados!
"Come What May" - linda canção que mostra o que é verdadeiro amor...
3 comentários:
Tenho um amigo que precisa ler esse texto. Se vcs se corresponderem, vão gostar muito um do outro.
Adorei o texto. Particularmente, acho que o problema é que o amor é igual dieta: Cada um tem uma fórmula que funciona para si e para o seu amor.... Mas a pessoa insiste em fazer a mesma dieta da prima, aí estraga tdo, né?
O melhor é cada um de nós perder esse medo do sofrimento... A pessoa acha a outra bonita e antes de saber o nome já tem medo da desilusão amorosa... Quer saber, da mesma forma que marcas de facadas são LINDAS nos malvadões... nossas marcas de amor tbm tem sua beleza, e ajudam a nos construir...
Ai, ai... eu AMO o amor...
PS.: Esnoba com a sua cultura né? Tbm quero a prender a analisar as palavraaaas XDDDD...
E realmente, o Moulin Rouge é maravilhoso. se vc num tiver ele e quiser, faço uma cópia pra vc eu tenho o dvd.
Beijos dear
K~
Lindo esse texto felino. Admiro pessoas que, assim como eu, conseguem expressar seus sentimentos de maneira clara e verdadeira! te amo.
A vida nos conduz a buscar caminhos que não sabemos
Aonde vai dar... tenho encontrado muitos blogs de
diferentes categorias, e várias formas de se expressar ...
uns me fascinam, outros nem tanto...mas entre idas e
vindas, estou aqui dando algumas pinceladas em suas
blog e achando muito bem elaborado, bastante
Conteúdo, e tenho certeza absoluta que voltarei, outras
vezes...
Se desejar me visitar, estarei a sua espera.
Abraços e até lá.
Waleria Lima.
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